O vereador Roque Neri (PSOL), conhecido popularmente como Kim e integrante da base de apoio ao prefeito Adriano Mendonça (Avante), fez duras críticas à administração municipal durante a sessão da Câmara realizada na última quinta-feira (18), em Gongogi.
Em tom de desabafo, o parlamentar afirmou que passou praticamente todo o ano em silêncio, mas que a “colher de chá” dada à gestão estaria chegando ao fim. Segundo Roque, a situação do município é preocupante e não apresenta sinais de melhora.
“Eu não poderia deixar de dar meus parabéns à bancada da oposição. Se as coisas estão ruins, sem vocês estaria pior, viu”, declarou o vereador, elogiando publicamente os parlamentares oposicionistas.
Roque Neri afirmou ainda que a população não pode pagar por uma conta que não fez, dando a entender que os problemas enfrentados pelos moradores são consequência direta da condução administrativa do governo municipal.
“Então vamos entrar em 2026 e que tomem providências para alavancar essa cidade, porque eu estou vendo o negócio feio”, disse o parlamentar no plenário.
O vereador reforçou que, na sua avaliação, a gestão não tem demonstrado esforço para corrigir os erros e que, caso continue no mesmo rumo, a tendência é de agravamento da crise.
“Eu peço a vocês, bancada de oposição, que continuem firmes, porque sem vocês estaria pior”, completou.
As declarações ocorrem em meio a uma série de críticas e desgastes enfrentados pela gestão do prefeito Adriano Mendonça. Recentemente, o governo municipal anunciou que não pagará o 13º salário nem o terço de férias dos professores em 2025, propondo o parcelamento em quatro vezes a partir de janeiro de 2026. A decisão gerou forte reação da categoria e do sindicato APLB.
Além disso, o prefeito decretou situação de emergência financeira, promovendo cortes de gastos que atingiram diversos servidores municipais. O governo também já se envolveu em polêmicas, incluindo um episódio em que o prefeito foi flagrado xingando e ameaçando um vereador.
No campo judicial, a Polícia Federal realizou buscas na Prefeitura de Gongogi e em empresa ligada a um ex-jogador de futebol, investigando contratos de transporte escolar e obras de infraestrutura firmados entre 2021 e 2024, durante o primeiro mandato de Adriano Mendonça. Em outra operação, a PF apurou desvios milionários no município. Em 2023, o prefeito também chegou a declarar publicamente que havia realizado pagamentos por sete meses de serviços não prestados, o que ampliou ainda mais as controvérsias em torno de sua gestão. (Interiorano)