Urnas de 2026 reorganizam forças em Gongogi e antecipam debate sobre sucessão de Adriano

Marcelinho Veiga e Neto Carletto lideraram votações proporcionais do município; resultado mostra força do prefeito.

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Foto: Ubatã Noticias

A eleição para prefeito de Gongogi será somente em 2028. Mas as urnas de 2026 já começaram a organizar as peças desse tabuleiro. Os números confirmam o tamanho das principais votações no município.

Para deputado estadual, Marcelinho Veiga recebeu 1.228 votos e terminou em primeiro lugar em Gongogi. Niltinho, apoiado por setores da oposição local, ficou em segundo, com 538 votos. A diferença foi de 690 votos — Marcelinho teve mais que o dobro da votação do adversário. 

Para deputado federal, Neto Carletto liderou com 944 votos. Depois apareceram Salmo Macário, com 424; Paulo Magalhães, com 405; Lucas Reis, com 380; e Ditinho Avivip, com 263. O núcleo político comandado por Adriano Mendonça e Nando concentrou suas principais apostas em Marcelinho Veiga e Neto Carletto.

Os dois terminaram na liderança das respectivas disputas dentro do município. Marcelinho abriu 690 votos sobre Niltinho, enquanto Neto terminou com 944, vantagem de 520 votos sobre o segundo colocado geral, Salmo Macário.

Quando a comparação é feita com Lucas Reis, que recebeu 380 votos e, contou com apoio de integrantes da oposição, a diferença chega a 564 votos. O resultado mostra que, quando Adriano colocou sua liderança diretamente em torno de um nome, seu candidato conseguiu chegar ao topo da votação local.

O desempenho não ficou restrito aos deputados. Jerônimo Rodrigues recebeu 2.298 votos em Gongogi, contra 1.130 de ACM Neto, terminando com 66,07% dos votos válidos. A vantagem foi de 1.168 votos. Para presidente, Lula teve 2.633 votos, ou 73,98% dos válidos, diante de 779 de Flávio Bolsonaro. Foram 1.854 votos de diferença. No Senado, os dois nomes defendidos pelo grupo também lideraram: Rui Costa recebeu 2.141 votos e Jaques Wagner, 2.030. 

Todos esses candidatos fizeram parte do conjunto político defendido por Adriano e Nando durante a campanha. Por isso, olhando o resultado do chamado “time” apresentado pelo prefeito, o saldo das urnas foi positivo. Mas há uma segunda fotografia escondida nesses mesmos números.

Para 2028, talvez esse seja um dos dados mais importantes. Adriano conseguiu manter lideranças relevantes ao seu lado, mas nem todos os integrantes de sua órbita política fizeram as mesmas escolhas para deputado federal. Segundo levantamento do Interiorano, os vereadores Pitbull e Kim acompanharam a candidatura defendida diretamente pelo prefeito. 

Lucas Pereira, Luiz de Tapirama e Reno de Nova Palma, por exemplo, trabalharam pela candidatura de Paulo Magalhães, que recebeu 405 votos em Gongogi e terminou em terceiro lugar entre os federais. Já Salmo Macário entrou ele próprio na disputa por uma cadeira de deputado federal. E seu desempenho merece atenção.

Salmo recebeu 424 votos em Gongogi, ficando atrás apenas de Neto Carletto na votação para deputado federal. O resultado chama atenção quando comparado à eleição municipal de 2024. Naquele ano, Salmo havia sido eleito vereador com 156 votos. Esse tipo de desempenho aumenta o peso de uma liderança numa futura mesa de negociação política. 

Os 405 votos de Paulo Magalhães também têm leitura semelhante. Se o apoio de Lucas Pereira, Luiz de Tapirama e Reno de Nova Palma se mantiver politicamente articulado, esse grupo passa a ter um número para apresentar nas conversas que inevitavelmente surgirão em torno da sucessão.

Do outro lado, a principal dificuldade revelada pela eleição parece ser outra: a fragmentação. Para estadual, Niltinho conseguiu reunir um segmento oposicionista e terminou em segundo lugar, com 538 votos, contra 1.228 de Marcelinho. 

Na disputa federal, porém, os apoios se espalharam. Segundo o levantamento político feito pelo Interiorano, um ex-vice-prefeito e dois vereadores formaram um núcleo de apoio a uma candidatura que ficou abaixo dos 263 votos no município, enquanto outros parlamentares da oposição fizeram opções diferentes.

Também houve o apoio a Lucas Reis, que terminou com 380 votos e a quarta colocação entre os federais. A consequência é simples: olhando a eleição de 2026, fica mais difícil medir a força total da oposição porque ela não entrou nas urnas em torno de uma única candidatura proporcional.

O teste verdadeiro para 2028 será outro: esses grupos conseguirão se sentar na mesma mesa e construir um único candidato a prefeito? Se conseguirem, a soma pode produzir um cenário diferente. Se chegarem divididos à eleição municipal, a vantagem estrutural tende a permanecer com o grupo atualmente instalado no Executivo.

Há ainda um elemento que torna essa discussão inevitável. Adriano Mendonça foi eleito prefeito pela primeira vez em 2020, com 1.988 votos, e reeleito em 2024, quando ampliou sua votação para 2.617 votos, ou 60,30%, contra 1.723 de Dodô. Pelas regras eleitorais atualmente em vigor, um prefeito pode exercer apenas dois mandatos consecutivos. 

Isso significa que, mantido o cenário jurídico atual, Adriano não poderá disputar novamente a Prefeitura de Gongogi em 2028. E é exatamente aí que a votação de domingo ganha ainda mais importância. O vice-prefeito Fernando Matos, o Nando, participou ao lado de Adriano da construção política desta eleição e aparece, naturalmente, entre os nomes que passarão a ser observados no processo sucessório.

Isso não significa que sua candidatura esteja definida. Ainda faltam dois anos. Mas, quando um prefeito em segundo mandato chega à reta final sem possibilidade de disputar novamente o mesmo cargo, o vice geralmente ganha peso nas articulações — principalmente quando participa diretamente das campanhas e do cotidiano político do governo.

O desafio de Nando, caso seja escolhido para representar o grupo, será transformar uma coalizão que hoje gira em torno da liderança de Adriano em uma aliança própria. E os números de 2026 mostram que essa tarefa envolverá negociação.

Portanto, a votação deste ano fortalece o prefeito, mas também valoriza seus aliados individualmente e principalmente seu vice, Nando. Adriano e Nando saem fortalecidos porque seus principais candidatos lideraram; vereadores da base também mostraram que possuem caminhos e votos próprios; e a oposição ainda precisa resolver sua fragmentação. (Interiorano)

FONTE: interiorano.com.br