Amizade que virou história: Luciana e Camila marcaram a canoagem brasileira

Medalhistas mundiais e pioneiras da canoagem feminina seguem inspirando novas gerações dentro e fora das competições.

Por Por Wesley Faustino

Foto: CBCa

Nas águas do Rio de Contas nasceu muito mais do que duas grandes atletas da canoagem brasileira. Entre treinos, viagens, medalhas e desafios, surgiu também uma amizade inseparável. Assim são conhecidas Luciana Costa e Camila Lima, chamadas carinhosamente no meio esportivo de “a tampa e a panela”.

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A relação entre as duas começou ainda nos primeiros anos da canoagem em Ubaitaba, quando treinavam sob orientação de Jefferson Lacerda. Desde então, construíram uma parceria que atravessou décadas, competições e gerações de atletas.

Luciana iniciou na canoagem aos 18 anos, em 1999, praticando o esporte inicialmente por lazer. Já Camila Lima começou ainda mais cedo, aos 13 anos, mergulhando desde adolescente no universo da canoagem. Com o tempo, Jefferson percebeu o potencial das duas atletas e passou a incentivá-las a competir. O que começou como um simples desafio logo se transformou em uma trajetória histórica para a canoagem feminina brasileira.

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Ao lado de Camila, Luciana ajudou a quebrar barreiras em uma época em que ainda existiam preconceitos contra mulheres praticando canoa. As duas se tornaram pioneiras da modalidade no Brasil e abriram caminho para diversas atletas que vieram depois. A parceria ganhou destaque internacional em 2010, quando Luciana e Camila conquistaram medalha mundial no C2 500 metros, em Poznań, na Polônia, entrando para a história como as primeiras brasileiras medalhistas mundiais na canoagem de velocidade feminina. Antes disso, Luciana já havia conquistado medalha mundial individual no C1 200 metros, em Quebec, no Canadá.

Mesmo com tantas conquistas, as duas seguem ligadas ao trabalho social e à formação de novos atletas em Ubaitaba. Hoje, Luciana atua na gestão esportiva, coordenando o esporte feminino da Confederação Brasileira de Canoagem (CBCa)) e presidindo a Associação Cacaueira de Canoagem (ACC). Camila também permanece contribuindo diretamente com projetos ligados à base da canoagem e à transformação social através do esporte e preside a Federação Baiana de Canoagem (FEBAC), além de coordenarem e supervisionarem o  projeto Remando em Águas Baianas.

Camila, aos risos, relembrou que a amizade entre ela e Luciana sempre foi motivo de brincadeira entre atletas e treinadores. “Onde uma estava, a outra também estava”. Por isso, acabaram recebendo o apelido que atravessou gerações na canoagem: “a tampa e a panela”.

A ligação da família com o esporte também segue viva na nova geração. Luciana revelou que seu filho, Davi Lucca Costa Alves, de 10 anos, já pratica diferentes modalidades esportivas, embora sem a pressão de seguir carreira no alto rendimento.

“Ele vai mais por lazer. Não coloquei essa carga na mente dele. Pratica várias modalidades esportivas. Começou com seis meses na natação na AABB. Hoje faz jiu-jítsu e futsal. Deixo-o à vontade para, lá na frente, escolher uma modalidade e, quem sabe, se dedicar aos treinamentos”, contou.

Mais do que medalhas e títulos, Luciana e Camila representam uma geração que ajudou a transformar a canoagem baiana em referência nacional. E até hoje, por onde passam, continuam sendo lembradas da mesma forma: inseparáveis, como “a tampa e a panela”. 

Por Wesley Faustino; pesquisador, historiador, escritor,  especialista em Gestão Pública e Gestão Ambiental e ex-vice-prefeito de Ubatã.

FONTE: interiorano.com.br