Lula ganhou 777 votos entre o primeiro e o segundo turno em Ubatã. Flávio Bolsonaro ganhou 213. Essa diferença de crescimento explica por que a vantagem do presidente, que já havia vencido no município em 4 de outubro, ficou ainda maior na votação decisiva deste domingo (25).
Levantamento realizado nesta segunda-feira (26) pelo Interiorano, a partir dos dados da apuração eleitoral, mostra que Lula passou de 5.152 votos no primeiro turno para 5.929 no segundo. O crescimento foi de 15,08%. Flávio Bolsonaro saiu de 3.051 para 3.264 votos, um acréscimo de 213 eleitores. No resultado final do segundo turno, Lula terminou com 64,49% dos votos válidos em Ubatã, contra 35,51% de Flávio.
A distância entre os dois passou de 2.101 para 2.665 votos. Na política local, Lula teve o apoio do prefeito Tinho do Vale (PT) e de seu grupo político. Flávio contou com apoios como os de Expedito Rigaud, da ex-prefeita Siméia Queiroz e do ex-vereador César Salles.
A comparação entre os turnos ajuda a enxergar para onde caminhou o eleitorado que, no primeiro turno, ainda não estava com nenhum dos dois finalistas. Em 4 de outubro, Lula e Flávio somavam juntos 8.203 votos em Ubatã. No segundo turno, passaram a somar 9.193. Ou seja: 990 votos líquidos foram acrescentados ao total dos dois finalistas.
Desse crescimento, 777 ficaram no total de Lula e 213 no de Flávio. Na prática, Lula respondeu por aproximadamente 78,5% do aumento líquido observado nas votações dos dois candidatos, enquanto Flávio ficou com 21,5%. Outro movimento importante aconteceu fora das candidaturas.
No primeiro turno, Ubatã teve 2.758 abstenções, com 9.222 eleitores comparecendo às urnas entre os 11.980 aptos. Os números são da totalização do TSE. No segundo turno, a soma de votos válidos, brancos e nulos chegou a 9.528 comparecimentos.
Isso deixa a abstenção em 2.452 eleitores. Foram, portanto, 306 pessoas a menos sem votar, redução de aproximadamente 11,09% na abstenção entre os dois turnos. O comparecimento passou de 76,98% para aproximadamente 79,53% do eleitorado.
No primeiro turno foram registrados 121 votos em branco e 389 nulos, totalizando 510 votos que não foram destinados a candidatos. No segundo, foram 83 brancos e 252 nulos, total de 335. São 175 votos brancos ou nulos a menos, uma redução de aproximadamente 34,3%. E aqui os números praticamente fecham a conta da mudança entre os dois turnos.
No primeiro turno, os candidatos eliminados somaram 509 votos válidos em Ubatã. A abstenção caiu em 306 e brancos e nulos diminuíram em 175. Exatamente os 990 votos líquidos acrescentados às votações somadas de Lula e Flávio no segundo turno.
Há outro componente interessante nessa conta. No primeiro turno, Augusto Cury recebeu 227 votos em Ubatã, Ronaldo Caiado teve 152 e Romeu Zema, 2. Juntos, somaram 381 votos. Os três declararam apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno. Cury anunciou apoio após acordo político com o candidato; Caiado também formalizou adesão, e Zema declarou voto em Flávio logo após o primeiro turno. Mas Flávio cresceu apenas 213 votos em Ubatã.
Renan Santos, que havia recebido 119 votos no município, não declarou apoio a nenhum dos dois finalistas e afirmou na reta final que não votaria no segundo turno. Politicamente, os números dão ao grupo do prefeito Tinho argumentos para comemorar.
Lula já havia vencido Ubatã no primeiro turno, mas a mobilização da segunda etapa ocorreu num cenário em que o adversário recebeu o apoio de candidatos identificados com setores da direita e que haviam somado votos no município. Mesmo assim, Lula cresceu mais que o dobro, proporcionalmente, do crescimento de Flávio: 15,08% contra 6,98%.
Além disso, houve redução da abstenção e dos votos brancos e nulos. É possível dizer, portanto, que o eleitorado adicional que entrou na disputa final favoreceu muito mais Lula do que Flávio. A vitória local também foi bem mais larga que a nacional. No Brasil, Lula foi reeleito com 64.256.232 votos, ou 51,79%, contra 59.826.041, ou 48,21%, de Flávio Bolsonaro. A diferença nacional ficou em 4.430.191 votos.
No primeiro turno, o cenário nacional havia sido o inverso: Flávio terminou na frente com 56.104.503 votos, contra 53.879.538 de Lula, vantagem de 2.224.965 votos. Entre uma votação e outra, portanto, houve uma virada de cerca de 6,65 milhões de votos na diferença entre os candidatos.
Lula ainda superou a própria marca de 2022 e, com mais de 64,2 milhões de votos, alcançou a maior votação nominal de um candidato à Presidência na história do país, além de garantir o quarto mandato presidencial. Em Ubatã, porém, a virada nacional não foi necessária. Lula já tinha vencido no primeiro turno.
No segundo, venceu de novo — e por uma margem ainda maior. (Interiorano)