Brasil tem pior campanha em Copas desde 1966 e vê Argentina e Espanha na final

Artigo de Wesley Faustino analisa o contraste entre o Brasil e as seleções finalistas e defende planejamento de longo prazo.

Por Por Wesley Faustino

Foto: James Lang/Reuters

A Copa do Mundo de 2026 chega ao fim deixando um contraste evidente entre as principais seleções do futebol mundial. Enquanto Argentina e Espanha disputam o título no domingo, no MetLife Stadium, o Brasil encerrou sua participação de forma precoce, terminando na 11ª colocação, seu pior resultado desde a Copa de 1966.

A campanha brasileira começou com empate diante do Marrocos (1 a 1), seguido por vitórias sobre Escócia (3 a 0) e Haiti (3 a 0), garantindo a liderança do Grupo C. Nos 16-avos de final, a Seleção venceu o Japão por 2 a 1, de virada, mas nas oitavas acabou eliminada pela Noruega, que venceu por 2 a 1 com dois gols de Erling Haaland.

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Mais do que a eliminação, o Mundial reforçou uma preocupação que acompanha a Seleção há alguns ciclos. O Brasil continua revelando jogadores entre os melhores do mundo, mas segue encontrando dificuldades para transformar esse talento individual em uma equipe sólida nos momentos decisivos. A falta de continuidade nos trabalhos técnicos e a ausência de uma identidade de jogo aparecem, mais uma vez, como obstáculos para voltar a disputar o título mundial.

O contraste fica evidente ao observar os finalistas. Argentina e Espanha chegam à decisão sustentadas por projetos esportivos consistentes, continuidade nas comissões técnicas e modelos de jogo bem definidos.
Se a Argentina conquistar o título, levantará sua quarta taça mundial, igualando Alemanha e Itália e ficando atrás apenas do Brasil, que permanecerá como maior campeão da história, com cinco títulos. A conquista consolidará um projeto iniciado após a Copa de 2018, baseado na renovação gradual do elenco, estabilidade e forte identidade coletiva.

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Caso a Espanha seja campeã, conquistará seu segundo Mundial, dezesseis anos após o título de 2010. O resultado coroará o processo de reconstrução da seleção espanhola, que voltou ao topo do futebol mundial apostando na formação de jovens talentos, organização tática e continuidade do trabalho.

Independentemente do campeão, a principal lição da Copa parece ser a mesma: o futebol moderno exige planejamento, estabilidade e um projeto de longo prazo. A tradição continua sendo patrimônio do Brasil, mas já não basta para conquistar títulos.

O Brasil seguirá como a seleção mais vencedora da história das Copas, porém a campanha de 2026 deixa um recado claro. Se quiser voltar ao protagonismo mundial, precisará olhar menos para o peso de sua camisa e mais para a construção de uma equipe organizada, competitiva e preparada para os desafios do futebol contemporâneo.

✍️ Sobre o autor

Wesley Faustino é escritor, historiador e pesquisador. Atua na preservação da memória política, cultural, esportiva e institucional de Ubatã e do sul da Bahia. Acompanha a dinâmica da política municipal sob uma perspectiva histórica e documental. É ex-vice-prefeito de Ubatã, especialista em Gestão Pública Municipal e Gestão Ambiental, além de ter exercido os cargos de diretor-geral e chefe de gabinete em diversos órgãos da administração pública do Estado da Bahia.

FONTE: interiorano.com.br