Mulheres estudam mais, ganham menos e lideram lares em Ubatã
Mulheres estudam mais, chefiam a maioria dos lares, porém continuam ganhando menos que os homens
Um levantamento realizado nesta sexta-feira, 8, pelo interiorano com base em dados do IBGE mostra que as mulheres de Ubatã avançaram na educação, assumiram protagonismo dentro de casa e ampliaram sua presença econômica. Mas também evidencia que a desigualdade de renda e de inserção no mercado de trabalho ainda é realidade.
Na infância e adolescência, a presença feminina na escola é alta. Entre 6 e 14 anos, praticamente todas as meninas estão matriculadas — índice superior a 98%. Mesmo na vida adulta, as mulheres continuam estudando mais que os homens: na faixa acima de 25 anos, a taxa de frequência escolar feminina quase dobra em relação à masculina.
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Esse avanço se reflete no nível de instrução. Proporcionalmente, há mais mulheres com ensino médio completo e com diploma de nível superior. Cerca de 10% delas concluíram o ensino superior — percentual que, entre os homens, é aproximadamente a metade.
Mas o cenário muda quando o assunto é trabalho. Apenas cerca de um quarto das mulheres está formalmente ocupada, enquanto entre os homens esse percentual se aproxima de 45%. Ou seja: mesmo mais escolarizadas, elas participam menos do mercado de trabalho.
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A diferença também aparece na renda. A média mensal feminina é de R$ 1.487, enquanto os homens recebem cerca de R$ 1.635. Na média geral, as mulheres ganham aproximadamente 91% do rendimento masculino.
Em algumas ocupações, a desigualdade é mais evidente. No trabalho doméstico e nas atividades por conta própria, os rendimentos femininos ficam significativamente abaixo dos masculinos. Por outro lado, quando atuam como empregadoras, elas chegam a superar os homens em rendimento médio.
Dentro de casa, o protagonismo é ainda mais visível. Cerca de 85% dos lares monoparentais — aqueles com apenas um responsável — são chefiados por mulheres. É um dado que revela a centralidade feminina na estrutura familiar do município.
Outro recorte importante envolve a deficiência. Entre as mulheres com deficiência, a maioria se concentra nos níveis mais baixos de escolaridade, o que indica um acúmulo de vulnerabilidades. Já entre aquelas sem deficiência, a distribuição educacional é mais equilibrada.
A maternidade também aparece com força no levantamento. A partir dos 30 anos, a grande maioria das mulheres já teve filhos, com índices que ultrapassam 80% em algumas faixas etárias. Entre mulheres pretas e pardas, a maternidade tende a ocorrer em proporção maior nas faixas mais jovens quando comparada às mulheres brancas.
No deslocamento diário para o trabalho, a maioria atua no próprio município e leva até 30 minutos para chegar ao local de atividade. Grande parte se desloca a pé, especialmente entre mulheres pretas e pardas, o que também dialoga com desigualdade de renda e acesso a transporte.
O retrato que emerge é claro: as mulheres de Ubatã estudam mais, sustentam lares e movimentam a cidade. Mas ainda enfrentam barreiras econômicas e sociais que limitam plenamente seu potencial. Os dados do Censo não fazem juízo de valor. Eles apenas mostram a estrutura. , em Ubatã, essa estrutura tem base feminina. (Interiorano)