Ubatense preserva coleção que celebra o centenário da Coca-Cola

Relíquias da Coca-Cola encontradas em coleção particular recontam 100 anos de design e cultura

Por Wesley Faustino - @podcastdochefe
26/02/2026 17h48 - Atualizado há 2 semanas
Ubatense preserva coleção que celebra o centenário da Coca-Cola
Foto: ilustração

​A história da Coca-Cola não é apenas a narrativa de uma bebida que se tornou um fenômeno global, mas sim uma lição de como o design industrial pode se transformar em um patrimônio cultural. Desde o seu nascimento em uma farmácia de Atlanta em 1886, a marca entendeu que, para conquistar o mundo, precisaria de uma identidade visual que fosse, literalmente, inconfundível.

No entanto, o ícone que conhecemos hoje nem sempre teve as curvas famosas; ele foi fruto de uma necessidade urgente de sobrevivência comercial. No início do século XX, entre 1900 e 1915, a Coca-Cola enfrentava um problema logístico e de marca: a pirataria. O xarope era engarrafado em frascos de vidro reto, genéricos, que qualquer concorrente — como a "Koka-Nola" ou a "Tokola" — podia copiar facilmente.

Naquela época, os rótulos eram de papel e se soltavam facilmente quando as garrafas eram mergulhadas em barris de gelo. A empresa percebeu que precisava de uma embalagem que pudesse ser reconhecida pelo tato, no escuro, ou mesmo se estivesse quebrada no chão.

​Essa necessidade deu origem, em 1915, à lendária garrafa Contour. Projetada pela Root Glass Company, sua silhueta foi inspirada nas curvas e sulcos de uma fava de cacau. Embora o ingrediente não fizesse parte da fórmula, a estética orgânica e robusta garantiu à marca a exclusividade desejada.

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Ao longo das décadas seguintes, essa garrafa evoluiu sutilmente, ganhando o apelido de "Garrafa de Natal" na década de 1920 e tornando-se, em 1950, o primeiro produto comercial a ilustrar a capa da revista Time, consolidando-se como um símbolo do American Way of Life.

​A segunda metade do século trouxe a era da praticidade. Em 1955, a Coca-Cola rompeu a tradição do tamanho único de 6,5 onças (cerca de 190ml) para introduzir as versões King Size e familiar, adaptando-se ao novo perfil do consumidor do pós-guerra, que buscava conveniência e maiores quantidades. Nos anos 60 e 70, a introdução das latas de alumínio e, posteriormente, das garrafas de plástico PET em 1993, democratizaram o acesso à bebida, mas sempre tentando mimetizar as curvas clássicas que o vidro imortalizou.

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​Hoje, a evolução continua com um foco renovado em sustentabilidade. A introdução da PlantBottle e o uso de alumínio reciclado mostram que a marca tenta equilibrar sua herança histórica com as exigências ambientais do século XXI. Do vidro reto de 1900 aos materiais biodegradáveis de hoje, a trajetória da garrafa de Coca-Cola é a prova de que, no mundo dos negócios, a forma é tão vital quanto o conteúdo

Encontrei essas réplicas das garrafas na casa de meu primo Linvaldo Soares Pereira, um ubatense residente em Salvador -  um museu ele tem em casa com várias coleções obras de artes, discos de vinil, utensílios domésticos (ferros antigos, máquina de costura etc).

Esse Pack de Garrafas Históricas de 2015 fez parte das celebrações globais dos 100 anos da Garrafa Contour (a famosa garrafa curvilínea patenteada em 1915). No Brasil, o kit chegou às prateleiras entre novembro e dezembro daquele ano, sendo vendido em supermercados, hipermercados e lojas de conveniência como uma edição limitada.

Por Wesley Faustino; pesquisador, historiador, escritor,  especialista em Gestão Pública e Gestão Ambiental e ex-vice-prefeito de Ubatã


FONTE: Interiorano
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