Os números de 2025 escancaram um cenário alarmante no sul da Bahia: a violência contra a mulher é proporcionalmente mais intensa nas pequenas cidades do que nos grandes centros urbanos.
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Levantamento exclusivo realizado pelo Interiorano, nesta terça-feira (17), com base em dados da Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) e nas estimativas populacionais do IBGE, aponta que municípios de menor porte apresentam taxas mais densas e frequentes de agressões.
A análise considera o período de janeiro a dezembro de 2025 e revela que, quando o critério é proporcionalidade por mil habitantes, o impacto da violência se torna ainda mais preocupante.
“A divulgação de informação é crucial para a atenção e para ajudar as mulheres a identificar e sair do ciclo de violência, visto que 68% delas não reconhecem os tipos de violência. Hoje, a violência está naturalizada na sociedade devido à criação de estereótipos de gênero impostos, que definem comportamentos ‘ideais’ para homens e mulheres”, afirmam especialistas ouvidos pela reportagem.
Com população estimada em 5.479 habitantes, Gongogi registrou 221 ocorrências de violência contra a mulher em 2025. A taxa alcança 40,33 vítimas por mil habitantes — a maior entre os 12 municípios analisados.
Ubatã aparece na segunda colocação, com 174 registros para uma população de 15.839 habitantes, resultando em taxa de 10,98 vítimas por mil habitantes. Na prática, o município registrou, em média, uma mulher vitimada a cada dois dias ao longo do ano.
Jequié lidera em números absolutos, com 1.095 casos. No entanto, proporcionalmente, ocupa apenas a sexta posição, com taxa de 6,47 por mil habitantes. O dado reforça que o volume absoluto nem sempre traduz a densidade real do problema.
Em Ipiaú, foram 275 ocorrências registradas, incluindo tentativas de feminicídio e homicídios dolosos, com taxa de 6,48 vítimas por mil habitantes.
Os dados reforçam a necessidade de políticas públicas descentralizadas, especialmente voltadas às cidades menores, onde a violência se mostra mais concentrada em relação ao número de habitantes. A equipe do Interiorano destaca que a análise proporcional é fundamental para compreender o impacto real da violência no cotidiano das comunidades.
“Não podemos olhar apenas para onde há mais volume absoluto de ocorrências, mas para onde a violência é mais frequente em relação à população. É ali que a dor se torna rotina”, aponta a análise editorial.
Os dados de 2026 ainda não foram divulgados. No entanto, o cenário de 2025 já serve como alerta direto às autoridades municipais e estaduais. No recorte estadual, a Bahia contabilizou 103 feminicídios ao longo de 2025, ocupando o 4º lugar no ranking nacional, atrás apenas de São Paulo (233), Minas Gerais (139) e Rio de Janeiro (104). (Interiorano)