De 68 votos a quatro vereadores: Hassan amplia base política em Ubatã para 2026

Deputado estadual teve apenas 68 votos no município em 2022, mas chega à disputa de 2026 com apoio de quatro dos 11 vereadores

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De 68 votos a quatro vereadores: Hassan amplia base política em Ubatã para 2026
Foto: Garcia Jr / Interiorano

O deputado estadual Hassan Iossef (PP) chega à eleição de 2026 com uma configuração política em Ubatã completamente diferente daquela encontrada na disputa anterior. Dos 11 vereadores que compõem a Câmara Municipal, quatro estão alinhados à candidatura de Hassan à Assembleia Legislativa da Bahia: Diêgo da Igreja (Avante), Betinho Miranda (Avante), Bonfim (Avante) e Márcio do Leite (Avante).

Além dos parlamentares, Hassan também recebeu o apoio da ex-prefeita, Siméia Queiroz, ampliando o conjunto de lideranças locais que deverá trabalhar por sua candidatura no município. A nova composição cria uma expectativa natural de crescimento da votação do deputado em Ubatã.

Hassan foi eleito na última disputa em 2022 com 60.718 votos, mas teve apenas 68 votos em Ubatã. Em 2026, o cenário é outro. A dimensão da estrutura política construída em torno de Hassan pode ser observada pelo desempenho eleitoral dos vereadores que agora estão ao seu lado.

Diêgo da Igreja foi o vereador mais votado de Ubatã na última eleição municipal, com 692 votos. Betinho Miranda recebeu 589 votos, ficando entre os vereadores de maior votação no município. Bonfim conquistou 474 votos, enquanto Márcio do Leite recebeu 376 votos. Somados, os quatro parlamentares alcançaram 2.131 votos na eleição municipal. Isso não significa, naturalmente, que esses votos serão automaticamente transferidos para Hassan. Eleições municipais e estaduais possuem dinâmicas diferentes, e o eleitor não necessariamente acompanha todas as escolhas de uma liderança política.

Ainda assim, os números demonstram que Hassan terá em 2026 uma estrutura de apoio local significativamente superior àquela disponível na eleição anterior. Fora da Câmara, outra liderança entrou nessa composição. A ex-prefeita Siméia Queiroz, que disputou e perdeu a última eleição municipal para o prefeito Tinho do Vale (PT), anunciou recentemente seu posicionamento para 2026.

Siméia declarou apoio a ACM Neto para governador, Hassan Iossef para deputado estadual e Cacá Leão para deputado federal. É justamente aí que começa uma das leituras mais interessantes da eleição. Essa unidade praticamente desaparece quando a disputa passa para deputado federal. Se Hassan une essas lideranças para estadual, a eleição para deputado federal coloca parte delas em campos diferentes.

Diêgo da Igreja e Bonfim estão com Afonso Florence (PT), Betinho Miranda apoia Paulo Magalhães (PSD). A relação política entre os dois já resultou, inclusive, em articulações envolvendo recursos e ações destinadas ao município. Siméia Queiroz, por sua vez, anunciou apoio a Cacá Leão. Já no caso de Márcio do Leite, a reportagem ainda não possui confirmação pública definitiva sobre quem será seu candidato a deputado federal. A tendência apontada nos bastidores é de apoio a um nome ligado ao PT, mas essa informação deverá ser confirmada pelo próprio vereador antes de ser tratada como definição.

E é justamente essa divisão que poderá transformar a eleição para deputado federal em um dos principais termômetros da força das lideranças políticas de Ubatã em 2026. Cada liderança terá seu próprio teste, a missão política desses grupos será dupla.

Ao mesmo tempo em que trabalharão para produzir uma votação expressiva para Hassan, cada vereador e a ex-prefeita também precisarão mobilizar seus respectivos eleitorados para candidatos diferentes a deputado federal. É nessa segunda disputa que os resultados poderão ganhar uma leitura política ainda mais individualizada.

Qual será a votação de Afonso Florence em Ubatã com Diêgo da Igreja e Bonfim trabalhando por sua candidatura? Quantos votos Paulo Magalhães conseguirá tendo Betinho Miranda como uma de suas principais referências políticas no município? Qual será o desempenho de Cacá Leão com o apoio de Siméia Queiroz? E, após a definição de Márcio do Leite, qual será a votação alcançada pelo candidato apoiado pelo vereador?

As respostas estarão nas urnas. Voto não tem dono, mas resultado produz leitura política. Naturalmente, existe uma cautela necessária nessa análise: nenhuma liderança é proprietária do voto do eleitor.

Um candidato a deputado federal pode possuir outros apoiadores no município, receber votos espontâneos, contar com influência partidária ou ser beneficiado pela própria campanha estadual. Dentro da dinâmica política municipal, os resultados servirão como importante indicador da capacidade de mobilização de cada grupo.

E essa comparação ganha ainda mais força justamente porque existe um elemento comum entre eles: Hassan. Ele mede a soma; os federais, a divisão. Essa talvez seja a principal leitura política do cenário que começa a ser desenhado em Ubatã.

Hassan deverá chegar fortalecido porque reúne forças que estarão separadas na eleição para deputado federal. Com candidatos diferentes, cada liderança terá um desafio mais particular de mobilização. Por isso, a eleição de 2026 poderá produzir dois retratos políticos diferentes em Ubatã. A votação de Hassan mostrará o tamanho da força construída quando essas lideranças caminham na mesma direção.

Já as votações dos candidatos a deputado federal poderão indicar como essa força se distribui quando cada liderança precisa convencer seu eleitorado a seguir uma escolha diferente. É aí que estará um dos números mais observados nos bastidores depois da abertura das urnas.

Em tempo, Diêgo, Betinho, Bonfim, Márcio e Siméia também precisarão equilibrar essa construção com seus próprios compromissos para deputado federal. E quando a eleição terminar, a matemática política será inevitável. Hassan mostrará a força da soma. Os candidatos a federal ajudarão a revelar o peso de cada liderança quando essa força estiver dividida.

Embora 2026 seja uma eleição estadual e nacional, esses números certamente serão observados também sob uma perspectiva local. Afinal, as urnas de outubro poderão produzir uma fotografia importante de quem consegue transformar liderança, mandato, grupo político e presença nas ruas em capacidade efetiva de mobilização eleitoral em Ubatã. (Interiorano)


FONTE: interiorano.com.br
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