Salvador da Matta resgata história que ajudou a transformar Ubaitaba em referência nacional

Dirigente participou da fundação das principais entidades da modalidade no Brasil e destaca o trabalho coletivo que impulsionou a canoagem baiana

Por Por Wesley Faustino

Fotos:Arquivo de Salvador da Matta

Muito antes de a canoagem baiana conquistar espaço no cenário nacional e internacional, um grupo de entusiastas trabalhava para estruturar a modalidade no estado. Entre esses pioneiros, destaca-se Salvador da Matta Junior, dirigente esportivo que participou diretamente da organização das primeiras entidades da canoagem baiana e brasileira e ajudou a consolidar o esporte em um período de escassos recursos e grandes desafios.

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Aos 70 anos, morando no Rio de Janeiro desde 2013, Salvador continua ligado às águas. Hoje pratica canoagem oceânica semanalmente no Clube Carioca de Canoagem, mas guarda na memória os anos em que dedicou boa parte de sua vida ao fortalecimento da modalidade na Bahia. Natural de Ipiaú, relembra que, em 1985, participou da fundação da Associação Baiana de Canoagem e, no mesmo ano, da criação da então Associação Brasileira de Canoagem, durante reunião realizada em Vitória (ES).

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Nos anos seguintes, ao lado da Associação Cacaueira de Canoagem (ACC), de Ubaitaba, e de outra entidade baiana, participou da criação da Federação Baiana de Canoagem (FEBAC), da qual viria a ser presidente. Também integrou a diretoria da Confederação Brasileira de Canoagem (CBCa), exercendo o cargo de diretor de Slalom no início da década de 1990 e, posteriormente, o de segundo vice-presidente entre 1998 e 2004.

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Foi justamente por meio desse trabalho de organização que Salvador da Matta ajudou a transformar as corredeiras de Taboquinhas, distrito de Itacaré, em um dos principais centros da canoagem slalom da Bahia. Frequentador assíduo da região desde o início da década de 1990, acompanhou de perto o surgimento de atletas, a realização de competições e a formação de uma geração que projetaria o estado no cenário nacional.
Um dos marcos desse processo ocorreu em 1991, quando Taboquinhas recebeu uma etapa do Campeonato Brasileiro de Canoagem Slalom. Embora a competição tenha sido disputada no distrito de Itacaré, o evento contou, segundo o ex-secretário municipal de Esportes José Carlos Lona, com decisivo apoio da Prefeitura de Ubaitaba. O então prefeito José Vermelho teria custeado aproximadamente 95% das despesas da competição, demonstrando o compromisso do município com o desenvolvimento da modalidade.

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Na organização daquele campeonato, Salvador da Matta contou com o apoio de diversas lideranças da canoagem baiana. Entre elas estava o canoísta Jefferson Lacerda, que, embora competisse na modalidade velocidade, colaborou na estrutura e na logística do evento. Segundo Salvador, Jefferson já era um atleta respeitado e conhecido no meio esportivo, contribuindo para fortalecer o ambiente da canoagem na região.

O dirigente também acompanhou momentos importantes da carreira do ubaitabense. Em 1991,  chefiou a equipe brasileira de canoagem slalom na Espanha, e foi o responsável, por meio de fax, de enviar à Federação Espanhola de Canoagem a relação dos atletas brasileiros que participariam das atividades preparatórias para o ciclo olímpico de Barcelona. Entre os nomes incluídos estava Jefferson Lacerda, que, meses depois, conquistaria a vaga para representar o Brasil nos Jogos Olímpicos de 1992.

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Para Salvador da Matta, o crescimento da canoagem baiana sempre esteve ligado ao esforço coletivo de dirigentes, treinadores, voluntários e atletas. A consolidação de Ubaitaba como referência nacional, o surgimento de nomes como Jefferson Lacerda e a chegada do técnico cubano ao município são resultados de um trabalho iniciado anos antes, quando praticamente tudo ainda precisava ser construído. O depoimento do dirigente ipiauense revela um capítulo pouco conhecido da história esportiva baiana. Mais do que recordar acontecimentos, Salvador da Matta Junior resgata a memória de uma geração que ajudou a estruturar a canoagem no estado e demonstra que, por trás das conquistas olímpicas e dos títulos nacionais, existiu um sólido trabalho de organização institucional, do qual ele foi um dos principais protagonistas.

Por Wesley Faustino; escritor, historiador e pesquisador. Atua na preservação da memória política, cultural, esportiva e institucional de Ubatã e do sul da Bahia. Ex-vice-prefeito de Ubatã, é especialista em Gestão Pública Municipal e Gestão Ambiental, tendo exercido funções de diretor-geral, chefe de gabinete e secretário em diversos órgãos da administração pública municipal (Ubatã e Salvador), estadual e federal. Dedica-se à análise da política municipal sob uma perspectiva histórica, documental e institucional. 

FONTE: interiorano.com.br