Ex-atleta da Seleção Brasileira relembra trajetória construída em Ubaitaba

Atleta relembra a trajetória que começou após deixar São Paulo e destaca o papel de Jefferson Lacerda na formação de atletas e cidadãos.

Por Por Wesley Faustino

Foto: arquivo pessoal

A história da canoísta Maisa Aparecida de Matos é marcada por mudanças, desafios e oportunidades que transformaram completamente seu destino. Até 2003, ela vivia com a família em Cipó-Guaçu, distrito do município de Embu-Guaçu (SP). Naquele ano, aos 15 anos, mudou-se para Ubaitaba, no sul da Bahia, quando sua mãe decidiu retornar à terra natal para ficar próxima da avó de Maisa, já idosa.

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Sem imaginar o rumo que sua vida tomaria, a adolescente deixou a Região Metropolitana de São Paulo para recomeçar às margens do Rio de Contas, em uma cidade que, anos depois, se consolidaria como um dos principais celeiros da canoagem brasileira. No ano seguinte, aos 16 anos, enquanto estudava em uma escola de Ubaitaba, passou a conviver com atletas como Figueroa Conceição (auxiliar técnico da seleção brasileira de canoagem), Camila Lima (ex-atleta e presidente da Federação Baiana de Canoagem- FEBAC) e outros jovens que treinavam sob a orientação de Jefferson Lacerda.

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Foi Figueroa quem percebeu seu perfil esportivo e a convidou para conhecer a canoagem. Apaixonada por esportes desde a infância, Maisa sempre gostou de jogar futebol. Entretanto, no início dos anos 2000, o futebol feminino ainda oferecia poucas oportunidades, especialmente nas cidades do interior. A canoagem, que vivia um período de crescimento em Ubaitaba, surgiu como um novo caminho.

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O primeiro contato com a modalidade, porém, durou pouco. Uma lesão no ombro direito obrigou a jovem atleta a interromper os treinamentos. Sem acompanhamento médico especializado e diante da limitada estrutura esportiva da época, acreditou que sua experiência na canoagem havia chegado ao fim. Mas os convites para retornar nunca cessaram. Recuperada da lesão, voltou aos treinos pouco antes de completar 18 anos e iniciou, de fato, a carreira que a projetaria no cenário esportivo nacional e internacional.

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Sua estreia em competições aconteceu em um festival realizado na Lagoa de Itajuípe, onde conquistou o terceiro lugar remando no caiaque. Em seguida, participou dos Campeonatos Baianos disputados em cidades como Ubaitaba e Itacaré, repetindo o terceiro lugar em sua primeira competição estadual. Observando sua evolução, Jefferson Lacerda passou a incentivá-la a competir também na canoa feminina, modalidade que ainda dava seus primeiros passos no Brasil. A aposta mostrou-se acertada. Os terceiros lugares deram lugar aos vice-campeonatos e, posteriormente, às primeiras vitórias.

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Com o passar dos anos, Maisa tornou-se campeã baiana, campeã brasileira, campeã sul-americana e passou a integrar a Seleção Brasileira de Canoagem. Entre os principais momentos da carreira está a classificação para a Final A do Campeonato Mundial disputado na Hungria, em 2011,  onde terminou entre as oito melhores atletas do mundo, um resultado que a colocou entre os grandes nomes da modalidade naquele período.

Apesar das conquistas, a caminhada foi marcada por dificuldades. Ainda adolescente, enfrentava limitações financeiras e chegou a decidir abandonar o esporte para trabalhar e ajudar a família. Foi nesse momento que recebeu um apoio decisivo de Jefferson Lacerda. Convencido de seu potencial, o treinador passou a ajudá-la financeiramente com recursos próprios para que continuasse treinando. Em contrapartida, Maisa auxiliava nos treinamentos das crianças que iniciavam na escolinha de canoagem. Entre aqueles jovens estava Isaquias Queiroz, que anos mais tarde se tornaria campeão olímpico e um dos maiores nomes da história da modalidade mundial.

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Outro gesto permanece vivo em sua memória. Jefferson Lacerda e a atleta Camila Lima uniram esforços para comprar seu primeiro remo de competição. Muito mais do que um equipamento esportivo, o presente simbolizava a confiança depositada em uma atleta que ainda construía seus primeiros passos na canoagem. Pouco tempo depois vieram os títulos brasileiros, a conquista da Bolsa Atleta, as convocações para a Seleção Brasileira e a oportunidade de representar o Brasil em importantes competições internacionais.

Ao recordar sua trajetória, Maisa costuma dizer que a canoagem lhe proporcionou muito mais do que medalhas. O esporte lhe ofereceu disciplina, propósito e pessoas que acreditaram em seu potencial quando ela própria ainda tinha dúvidas sobre o futuro.
Entre os atletas formados em Ubaitaba, Jefferson Lacerda era conhecido por um apelido carregado de afeto: "Paiinho". Mais do que treinador, tornou-se uma referência humana para gerações de jovens, incentivando talentos, formando cidadãos e ajudando a transformar sonhos em realidade.

A trajetória de Maisa Matos é um exemplo de como talento, perseverança e oportunidades podem mudar destinos. Da pequena Cipó-Guaçu às águas do Rio de Contas, e destas aos pódios nacionais e internacionais, sua história se tornou parte importante da construção da canoagem feminina brasileira.

Por Wesley Faustino; historiador, pesquisador, escritor, especialista em Gestão Pública e Gestão Ambiental e ex-vice-prefeito de Ubatã.

FONTE: interiorano.com.br