Empresários de Itacaré ajudaram a alimentar sonho que transformou a canoagem baiana

Irmãos Zé da Senzala e Flor apoiaram os primeiros anos da canoagem local e contribuíram para o desenvolvimento do projeto liderado por Jefferson Lacerda.

Por Por Wesley Faustino

Muito antes de a canoagem transformar vidas, revelar campeões e colocar Itacaré no mapa mundial do esporte, havia pessoas que acreditavam no projeto quando ele ainda era apenas um sonho. Entre elas estão os irmãos José Almeida, o conhecido Zé da Senzala, e Flor, empresários do ramo gastronômico em Itacaré.

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Proprietários de um dos estabelecimentos mais tradicionais da cidade, o Restaurante  Zé da Senzala, os irmãos acompanharam de perto os primeiros passos da canoagem em Itacaré e se tornaram parceiros fundamentais nas ações lideradas por Jefferson Lacerda. Zé lembra que ouviu falar de Jefferson ainda nos tempos em que o atleta começava a ganhar destaque nacional e internacional.

"Eu conhecia o nome dele por causa da canoagem, mas o contato mais próximo veio quando ele começou a estruturar o projeto esportivo em Itacaré. Era um período de muita luta e poucas condições, mas ele tinha uma determinação impressionante", recorda.

Quando a Associação de Canoagem de Itacaré (ACI) começou a receber crianças e adolescentes, a ajuda da família veio através daquilo que eles sabiam fazer melhor: alimentar pessoas. Durante campeonatos e eventos esportivos, a cozinha do restaurante se transformava em uma verdadeira base de apoio para atletas, treinadores e equipes técnicas.

“Eu e minha irmão não assistíamos as competições porque sempre estávamos na cozinha, trabalhando por trás do evento”, contou.

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"Fazíamos marmitas para dezenas de crianças. Muitas vezes acordávamos de madrugada para preparar tudo. Minha mãe ajudava, a família toda participava. A gente acreditava naquele projeto", conta Zé.

Flor também guarda lembranças marcantes daquele período. "Sempre ajudamos porque acreditávamos no esporte. Eu mesma tinha vontade de participar de competições quando era mais jovem e sabia como era difícil não ter apoio. Quando Jefferson chegava pedindo ajuda, a gente fazia questão de colaborar."

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Além da alimentação, os empresários também contribuíram financeiramente para campanhas de arrecadação que ajudaram a manter as atividades da canoagem em funcionamento. Segundo Zé, Jefferson possuía uma característica rara: a capacidade de unir pessoas em torno de uma causa.

"Ele conseguia mobilizar comerciantes, empresários, famílias e voluntários. Fazia com que todos se sentissem parte do projeto. Era um líder nato."

Para os irmãos, a maior virtude de Jefferson foi enxergar potencial onde muitos não viam. "Ele identificava talentos, acreditava nas pessoas e tratava os atletas como filhos. Não era apenas um treinador. Era alguém que queria transformar vidas", afirma.

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Ao longo dos anos, Zé e Flor acompanharam o crescimento da modalidade e a ascensão de atletas que saíram das águas do Rio de Contas para representar o Brasil em competições nacionais e internacionais. Eles acreditam que a história da canoagem baiana seria completamente diferente sem a atuação de Jefferson Lacerda.

"Primeiro alguém precisou acender a chama. Jefferson foi essa pessoa. Ele ouviu que era possível chegar longe e teve coragem de acreditar. Depois fez com que centenas de jovens também acreditassem", diz Zé.

Hoje, mesmo com a estrutura da canoagem consolidada e os eventos funcionando de forma mais profissional, os irmãos continuam parceiros do esporte e mantêm vivo o orgulho de terem participado dos primeiros capítulos dessa trajetória.

Ao final, Flor resumiu o sentimento da família em poucas palavras: "Jefferson, você é uma pessoa iluminada. Conseguiu mudar a vida de muita gente e mostrar que uma cidade pequena pode ser conhecida no mundo inteiro através do esporte. Somos gratos por tudo o que você fez."

Já Zé conclui: "A canoagem brasileira tem a marca de Jefferson Lacerda. Quem conhece essa história sabe que ele não construiu apenas atletas. Ele construiu oportunidades, cidadania e esperança para toda uma geração."

Por Wesley Faustino; pesquisador, historiador, escritor, especialista em Gestão Pública e Gestão Ambiental e ex-vice-prefeito de Ubatã.

FONTE: interiorano.com.br