De promessa da base a treinador: a trajetória de Cross impulsionada por Lacerda
De atleta revelado na AUEC a treinador do projeto da SUDESB, Caique Cross transforma vidas e amplia o alcance da canoagem baiana.
Foto: reprodução instagram
A história do canoísta e hoje treinador Caique dos Santos Brito, conhecido como Cross, é mais uma prova de como o esporte pode transformar destinos, especialmente quando encontra, no caminho, figuras decisivas como Jefferson Lacerda.
Natural de Camamuzinho, distrito de Ibirapitanga, foi entre 2008 e 2009 que Caique teve seu primeiro contato com a canoagem, na Associação Ubatense Evangélica de Canoagem (AUEC), um dos berços da modalidade na região sul da Bahia. Ali, além de descobrir o esporte, encontrou também um orientador fundamental em sua trajetória, além do apoio do dirigente e fundador da associação, Marcos Costa Lima (Marcão da Canoagem).
“Desde o início, Lacerda não foi apenas um treinador. Era alguém que observava, orientava e, acima de tudo, acreditava em mim”, relembra Cross.
Um dos momentos mais marcantes dessa fase inicial foi uma seletiva que mudaria o rumo de sua vida. Ao confiar em seu potencial, Lacerda o classificou para o Campeonato Baiano, realizado em Itajuípe. A partir dali, começava não apenas uma sequência de competições, mas a construção de uma carreira sólida na canoagem.
Com o passar do tempo, a convivência entre atleta e treinador se intensificou, especialmente durante disputas locais, como a tradicional prova da Ponte Nova, em Ubatã — ponto simbólico do rio de Contas que liga Camamuzinho ao município de Gongogi. Nos treinos e competições, Lacerda se destacava pelo olhar técnico apurado e pela dedicação ao desenvolvimento de seus atletas.
“Ele sempre foi muito detalhista, corrigia minha técnica, ajustava cada movimento com paciência e firmeza. Foi assim que fui evoluindo”, conta Cross.
Mesmo quando Caique passou a treinar em Ubaitaba, outro importante polo da canoagem baiana, a presença de Lacerda continuou constante. Ainda que à distância, o treinador mantinha o acompanhamento, orientando treinos e oferecendo suporte uma demonstração clara de compromisso com a formação de seus atletas.
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Hoje, Caique Cross segue os passos do mestre, atuando como treinador no projeto Remando em Águas Baianas, iniciativa da Superintendência dos Desportos do Estado da Bahia (SUDESB), sediada na própria AUEC, em Ubatã. Com a experiência de quem viveu na prática o impacto do esporte, ele agora conduz novos atletas e celebra os resultados alcançados.
“Hoje eu trabalho no projeto Remando em Águas Baianas desde 2018. Graças a Deus, atendemos mais de 90 alunos, e alguns deles já fazem parte da Seleção Brasileira de Canoagem, como Gabriel, Lohane, Maurício e Adriele. Todos integram a seleção e já conquistaram títulos importantes, como Campeonato Brasileiro, Sul-Americano, Copa do Mundo e Mundial Sub-23. Fico muito feliz em fazer parte dessa jornada, de um início brilhante na vida desses atletas.”
A carreira de Cross é marcada por números expressivos: são 12 títulos de campeão baiano, oito campeonatos brasileiros, três conquistas da Copa Brasil e um vice-campeonato sul-americano, na Argentina. Mas, para ele, o maior legado deixado por Jefferson Lacerda vai além das medalhas.
“Tudo o que conquistei carrega um pouco do que aprendi com Lacerda. Mas, mais do que títulos, ele me deixou algo maior: exemplo. Sem a ajuda dele, eu não teria chegado até aqui. Ele não só me ensinou a remar, ele ajudou a transformar o meu destino.”
A trajetória de Caique Cross reforça o papel essencial de treinadores que vão além da técnica, atuando como verdadeiros formadores de vidas dentro e fora das águas.
Por Wesley Faustino; pesquisador, historiador, escritor, especialista em Gestão Pública e Gestão Ambiental e ex-vice-prefeito de Ubatã.