O cacau segue como principal produto agrícola de Ubatã, no sul da Bahia. Levantamento realizado nesta terça-feira, 21, pelo site Interiorano com base nos dados mais recentes do IBGE mostra que o município produziu 1.387 toneladas em 2024, movimentando R$ 72,231 milhões em valor bruto da produção.
O dado representa o maior valor financeiro já registrado na série histórica iniciada em 2004. No entanto, quando o recorte é feito sobre volume produzido, o cenário é diferente. Em 2004, Ubatã alcançou seu maior pico produtivo: 2.466 toneladas. O número atual representa uma redução de aproximadamente 43,7% em relação àquele ano.
🍫 A série histórica revela oscilações significativas:
2004: 2.466 toneladas
2005: 897 kilos (queda de 63% em relação a 2004)
2006: 1.322 toneladas
2007 a 2011: média superior a 1.200 toneladas
2012: 1.810 toneladas
2013: 1.275 toneladas
2014: 1.810 toneladas
2015 a 2017: queda progressiva até 830 kilos (redução de 54% em relação a 2014)
2018 a 2020: estabilidade pouco acima de 1.000 toneladas
2021: 1.382 toneladas
2022 a 2024: estabilidade na faixa de 1.380 toneladas
O que chama atenção é que, enquanto o volume não retornou ao patamar histórico, o valor financeiro disparou. Em 2023, o valor da produção foi de R$ 24,4 milhões. Em 2024, saltou para R$ 72,2 milhões — um crescimento de aproximadamente 195% em apenas um ano.
O aumento expressivo está ligado ao cenário internacional. Problemas climáticos em grandes produtores africanos, responsáveis por cerca de 70% da oferta global, reduziram a produção mundial e pressionaram os preços. A Costa do Marfim, maior produtora do planeta, responde sozinha por cerca de 45% do cacau mundial.
Em termos de área plantada, Ubatã possui 5.616 hectares destinados à colheita, todos efetivamente colhidos em 2024. O rendimento médio local foi de 247 kg por hectare, abaixo da média estadual da Bahia, que é de 319 kg por hectare — uma diferença de aproximadamente 22,5%.
O contraste revela um cenário importante: Ubatã viveu seu melhor momento em valor financeiro, mas ainda não recuperou sua capacidade produtiva histórica. Mesmo com o recorde de faturamento, produtores da região sul da Bahia seguem realizando mobilizações em 2026. As principais reivindicações envolvem preço considerado abaixo do esperado, deságios aplicados pela indústria e aumento das importações.
Produtores também manifestam preocupação com possíveis riscos fitossanitários, como a entrada de pragas exóticas a exemplo da Phytophthora megakarya, associada à doença da vagem preta. Representantes da indústria, por sua vez, argumentam retração na demanda por derivados e necessidade de manter contratos de abastecimento.
O cenário atual coloca Ubatã diante de três debates centrais: produtividade por hectare, dependência do mercado internacional e políticas de fortalecimento da cadeia produtiva. Os dados são referentes ao ano-base 2024, última atualização disponível do IBGE. O desempenho da safra 2025 ainda será consolidado.
A situação do setor segue em acompanhamento por entidades agrícolas, órgãos técnicos e lideranças regionais. Novos desdobramentos podem ocorrer conforme evoluem as negociações entre produtores e indústria. (Interiorano)