História revela papel de Aníbal Azevêdo na política de Ipiaú e Ubatã

Mascate que virou fazendeiro presidiu o primeiro Conselho Consultivo de Ipiaú e deixou legado político que alcança Ubatã.

Por Por Wesley Faustino-@podcstdochefe
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Registros históricos mostram que Aníbal Azevêdo presidiu o Conselho Consultivo de Ipiaú em 1934, órgão que funcionava como Câmara nomeada durante a intervenção estadual. (Interiorano)

No livro de Atas da Câmara de Vereadores de Ipiaú de dezembro de 1933 imortaliza nas suas páginas, em 1934, a figura do Conselho Consultivo de Ipiaú que emergiu como o pilar da governabilidade. Instalado oficialmente em 22 de abril de 1934, sob a batuta do Interventor Federal na Bahia Capitão Juracy Montenegro Magalhães, o Conselho funcionava como uma "Câmara de Vereadores" nomeada, composta por cidadãos de "notável saber e conduta".

Entre os membros, figuravam nomes de peso da elite agrária cacaueira e comerciantes, como Anibal Rodrigues de Azevêdo¹, Antônio Souza Brandão e Permínio José Barreto. A presidência desse primeiro Conselho Consultivo de Ipiaú, contudo, coube a um homem cuja trajetória personifica o espírito desbravador: o mascate Aníbal Rodrigues de Azevêdo. Patriarca de uma linhagem que viria a se tornar tradicional em Ubatã, Aníbal era fruto das terras da Cidade de Bonfim (atual Senhor do Bonfim), no Centro-Norte baiano.

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Sua chegada ao Sul da Bahia, nos idos de 1920, foi obra do acaso e do tino comercial. Segundo seu neto Anibal Aderne Azevedo, o popular Binha, o destino original do seu avô Aníbal era o Rio de Janeiro. Entretanto, uma "pernoitada" em Itapira (atual Ubaitaba) revelou-lhe os ecos da prosperidade econômica de Dois Irmãos. Ali, o antigo mascate transformou-se em próspero fazendeiro e líder nato.

Sua força política foi confirmada nas urnas em 1936, na primeira eleição para a Câmara Constitucional de Ipiaú, onde foi o segundo vereador mais votado, com 82 votos. A experiência democrática, todavia, foi bruscamente interrompida. Em 10 de novembro de 1937, o golpe do Estado Novo outorgou uma nova Constituição que, em seu Artigo 178, dissolveu sumariamente as casas legislativas de todo o país.

O mandato de Aníbal Azevêdo durou apenas um ano, e o silêncio político só seria rompido em 1945, com a queda de Vargas e a restauração das Câmaras. Apesar da brevidade do mandato, a semente política de Aníbal Azevêdo frutificou em seus descendentes. Seu irmão Arnaldo Azevêdo  foi o primeiro Gestor de Negócios Municipais (tipo o prefeito nomeado)da recém-emancipada Ubatã (setembro/1954 a abril/1955), indicado pelo governador da Bahia, Régis Pacheco, e voltou à prefeitura em 1960 por eleição indireta para substituir o renunciante Osmar Fernandes.

Na mesma linhagem, seu filho Everaldo Azevêdo  foi nomeado o primeiro secretário do município em 1954. Anibal Azevêdo, casado com a itacareense Antonieta de Oliveira Azevêdo e pai de uma numerosa prole: Aldo Azevêdo, Everaldo Azevêdo, Gilberto Azevêdo, Anibal Azevêdo Filho, Reginaldo Azevêdo, Cremilda Azevêdo Araujo, Rita Azevêdo Santana e Marisa Azêvedo Gomes. Anibal deixou um legado de trabalho e civismo que atravessa gerações de filhos, netos, bisnetos e tatatanetos.

Entre eles, a unica viva, sua filha, a caçula Marisa Azevêdo Gomes, que aos 90 anos reside em Feira de Santana desde a juventude, é casada com Isaac Suzart Gomes há 70 anos e mãe de cinco filhos, mantendo viva a memória das raízes familiares. Hoje, os herdeiros de Aníbal Azevêdo são peças fundamentais na engrenagem social da Bahia, atuando como profissionais liberais, empresários e produtores agropecuários. Mais do que nomes em um livro de atas, eles representam a continuidade daquela "ponte" que o patriarca construiu entre o sonho de progresso e a realidade da próspera Ipiaú e da vizinha Ubatã. Aníbal Azevêdo nasceu em 05/10/1897 e faleceu em16/09/1946, aos 49 anos em Feira de Santana. 

¹ O sobrenome Azevedo (ou a forma arcaica Acevedo) é um toponímico de origem portuguesa e espanhola, e a sua pronúncia/acentuação tônica original recai no segundo "e" (Azevêdo). Assim está grafado na certidão de nascimento de Anibal Rodrigues de Azevêdo.

Por Wesley Faustino; pesquisador, historiador, escritor,  especialista em Gestão Pública e Gestão Ambiental e ex-vice-prefeito de Ubatã.


FONTE: Interiorano
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