Muito além da estatística: as histórias das Marias que marcaram Ubatã

Levantamento inédito do Censo 2022 mostra que Maria é o nome mais comum e Santos o sobrenome mais popular no município

Por Por Wesley Faustino-@podcastdochefe

Maria de Bitoco

Dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que a identidade de Ubatã é sustentada por dois pilares fundamentais: o prenome Maria e o sobrenome Santos.

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Pela primeira vez na história, o órgão divulgou um ranking detalhado que organiza nomes e sobrenomes por sexo e município, evidenciando que, em solo ubatense, Maria reina absoluta com 748 registros, representando 4,67% da população feminina local. No entanto, a hegemonia numérica é ainda mais expressiva quando se observa o sobrenome Santos, que lidera o ranking geral com 5.836 registros na cidade.

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Embora a idade mediana das Marias ubatenses seja de 58 anos, o nome transcende gerações e estatísticas, ganhando vida e força nas trajetórias de mulheres que personificam a resiliência do interior baiano, como Dona Maria de Bitoco, de 108 anos, e Dona Maria do Barreiro, de 86 anos.

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Na região rural do Ribeirão dos Veados, Maria Conceição Santos, carinhosamente conhecida como Maria de Bitoco, desafia os estereótipos da longevidade. Aos 108 anos, ela mantém o comando de sua residência na Fazenda Pátio Verde, onde vive há 103 anos, dedicando-se a tarefas que exigem vitalidade incomum, como cuidar da horta, preparar lenha com facão e até realizar o manejo do cacau, "de leve", fala aos risos dona Maria Com a experiência de quem pariu 23 filhos e hoje convive com tataranetos, ela atribui sua disposição ao amor e à prática do bem, mantendo a destreza manual de quem ainda coloca a linha na agulha sem dificuldades e conserta suas roupas. 

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Essa mesma força é compartilhada por Maria Gregório dos Santos, a Dona Maria do Barreiro, que aos 86 anos inicia sua rotina às 5h da manhã na roça. Matriarca de uma família tradicional, ela dedica-se ao cultivo de mandioca e cacau, além de preservar uma relíquia familiar: uma máquina de costura manual de aproximadamente 200 anos, herdada de sua bisavó. Através do equipamento, apelidado de "Tok Tok", ela costura enxovais e colchas de retalhos para as novas gerações, unindo o passado ao presente com uma precisão visual que dispensa o uso de óculos.

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Assim, enquanto os dados do IBGE sistematizam a prevalência de Maria e Santos em Ubatã, são essas trajetórias de suor e tradição que preenchem os números com significado, provando que os nomes mais comuns da região carregam, na verdade, histórias extraordinárias de trabalho e herança cultural.

Por Wesley Faustino; pesquisador, historiador, escritor,  especialista em Gestão Pública e Gestão Ambiental e ex-vice-prefeito de Ubatã.

FONTE: Interiorano