Muito além da estatística: as histórias das Marias que marcaram Ubatã

Levantamento inédito do Censo 2022 mostra que Maria é o nome mais comum e Santos o sobrenome mais popular no município

Por Wesley Faustino - @podcastdochefe
02/03/2026 21h33 - Atualizado há 2 semanas
Muito além da estatística: as histórias das Marias que marcaram Ubatã
Maria de Bitoco

Dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que a identidade de Ubatã é sustentada por dois pilares fundamentais: o prenome Maria e o sobrenome Santos.

Pela primeira vez na história, o órgão divulgou um ranking detalhado que organiza nomes e sobrenomes por sexo e município, evidenciando que, em solo ubatense, Maria reina absoluta com 748 registros, representando 4,67% da população feminina local. No entanto, a hegemonia numérica é ainda mais expressiva quando se observa o sobrenome Santos, que lidera o ranking geral com 5.836 registros na cidade.

Embora a idade mediana das Marias ubatenses seja de 58 anos, o nome transcende gerações e estatísticas, ganhando vida e força nas trajetórias de mulheres que personificam a resiliência do interior baiano, como Dona Maria de Bitoco, de 108 anos, e Dona Maria do Barreiro, de 86 anos.

Na região rural do Ribeirão dos Veados, Maria Conceição Santos, carinhosamente conhecida como Maria de Bitoco, desafia os estereótipos da longevidade. Aos 108 anos, ela mantém o comando de sua residência na Fazenda Pátio Verde, onde vive há 103 anos, dedicando-se a tarefas que exigem vitalidade incomum, como cuidar da horta, preparar lenha com facão e até realizar o manejo do cacau, "de leve", fala aos risos dona Maria Com a experiência de quem pariu 23 filhos e hoje convive com tataranetos, ela atribui sua disposição ao amor e à prática do bem, mantendo a destreza manual de quem ainda coloca a linha na agulha sem dificuldades e conserta suas roupas. 

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Essa mesma força é compartilhada por Maria Gregório dos Santos, a Dona Maria do Barreiro, que aos 86 anos inicia sua rotina às 5h da manhã na roça. Matriarca de uma família tradicional, ela dedica-se ao cultivo de mandioca e cacau, além de preservar uma relíquia familiar: uma máquina de costura manual de aproximadamente 200 anos, herdada de sua bisavó. Através do equipamento, apelidado de "Tok Tok", ela costura enxovais e colchas de retalhos para as novas gerações, unindo o passado ao presente com uma precisão visual que dispensa o uso de óculos.

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Assim, enquanto os dados do IBGE sistematizam a prevalência de Maria e Santos em Ubatã, são essas trajetórias de suor e tradição que preenchem os números com significado, provando que os nomes mais comuns da região carregam, na verdade, histórias extraordinárias de trabalho e herança cultural.

Por Wesley Faustino; pesquisador, historiador, escritor,  especialista em Gestão Pública e Gestão Ambiental e ex-vice-prefeito de Ubatã.


FONTE: Interiorano
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