Há 93 anos, mulheres conquistavam direito de votar e ser votadas

Dia da Conquista do Voto Feminino resgata história nacional e pioneirismo de mulheres em Ubatã

Por Wesleys Faustino - @podcastdochefe
24/02/2026 18h21 - Atualizado há 2 semanas
Há 93 anos, mulheres conquistavam direito de votar e ser votadas
Celina Guimarães Viana - primeira eleitora do Brasil

Neste 24 de fevereiro, o Brasil celebra um marco fundamental de sua democracia: o Dia da Conquista do Voto Feminino. Foi nesta data, em 1932, que as mulheres brasileiras garantiram, por decreto do então presidente Getúlio Vargas, o direito de escolher seus representantes e de serem votadas. No entanto, o caminho entre o direito legal e a ocupação efetiva das cadeiras nos legislativos municipais foi longo, pavimentado por coragem e resiliência.

Mas, antes desta data, a primeira a primeira mulher a  votar foi Celina Guimarães Viana, que em 1927, no estado do Rio Grande do Norte o primeiro a estabelecer a não distinção de sexo para o exercício do voto. Aproveitando essa brecha na lei estadual, a professora Celina Guimarães Viana solicitou sua inclusão no rol de eleitores na cidade de Mossoró. Em 5 de abril de 1928, a professora  deu seu voto, sendo a primeira vez que uma mulher votou efetivamente no Brasil e na América Latina. Votou, mas o Senado Federal anulou o voto alegando que era necessária uma lei federal.

Também em 1928, enquanto Celina abria o caminho nas urnas, Alzira Soriano fazia história na política executiva. Também no Rio Grande do Norte, ela se candidatou à prefeitura de Lajes evenceu a disputa com 60% dos votos, tornando-se a primeira mulher a ser eleita prefeita no Brasil e na América Latina.

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Em nossa região, essa história de protagonismo feminino ganha contornos especiais quando olhamos para a trajetória política de Ubatã. Embora o voto feminino tenha completado décadas, a chegada da primeira mulher à Câmara Municipal de Ubatã ocorreu em um contexto de transição e persistência na década de 70, precisamente nas eleições de 1972.

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Se hoje debatemos a importância da representatividade, é preciso olhar para o ano de 1975. Foi naquele período que Enoe Ribeiro cravou seu nome na história ubatense. Candidata pelo MDB (Movimento Democrático Brasileiro), Enoe enfrentou o desafio das urnas em um período político complexo do Brasil.

Embora tenha terminado o pleito na 4ª suplência, o destino e a articulação política permitiram que ela assumisse o cargo de vereadora, tornando-se a primeira mulher a exercer o mandato legislativo em Ubatã. Sua ascensão à vereança não foi apenas um ato administrativo; foi a quebra de uma barreira invisível que, até então, mantinha o plenário como um espaço estritamente masculino.

O resgate desta história nos ensina que a identidade de um povo é feita de camadas. A história de Enoe Ribeiro é uma dessas "histórias que o vento não deve levar". Ela representa a transição entre o "causo" político e a conquista real de direitos. Ao celebrarmos o voto feminino hoje, celebramos Bertha Lutz no plano nacional (1ª deputada federal do Brasil - 1933), mas também celebramos Enoe Ribeiro no plano local. Ambas, cada uma em seu tempo e medida, provaram que a política é, sim, lugar de mulher. 

Nestes 71 anos da criação da Câmara de Vereadores de Ubatã, dez mulheres tiveram assentos nas cadeiras do Plenário do Legislativo: Enoe Ribeiro, Lúcia Helena Ribeiro, Marivanda Santos, Suza Mare de Santana, Jacira Magalhães, Ednalva Morais Rigaud (Nalvinha - eleita três vezes consecutivas), Rita Gama Falcão,  Cássia Mascarenhas (presidente da Casa e prefeita interina), Joilda Oliveira do Bonfim Silva e Neide Ferreira.

Que o exemplo da eleição de1972 continue a inspirar novas gerações de mulheres ubatenses a ocuparem seus espaços de fala e decisão.

Por Wesley Faustino; pesquisador, historiador, escritor,  especialista em Gestão Pública e Gestão Ambiental e ex-vice-prefeito de Ubatã.


FONTE: Interiorano
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