Anvisa alerta sobre riscos de canetas emagrecedoras e investiga mortes

Agência apura seis mortes por pancreatite no Brasil e reforça que medicamentos como Ozempic e Mounjaro exigem prescrição médica.

Por Garcia Junior - @reportergarciajunior
09/02/2026 23h12 - Atualizado há 1 mês
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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um alerta sobre o uso de canetas para tratamento de obesidade e diabetes sem acompanhamento médico ou fora das indicações previstas em bula. O órgão investiga seis mortes suspeitas por pancreatite no Brasil e mais de 200 casos de problemas no pâncreas associados ao uso desses medicamentos.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu, nesta segunda-feira (9), um alerta nacional sobre o uso inadequado de canetas utilizadas no tratamento da obesidade e do diabetes, como Ozempic, Saxenda e Mounjaro. O documento chama atenção para o aumento recente de notificações de pancreatite associadas ao uso desses medicamentos, especialmente quando utilizados sem prescrição médica ou para finalidades não aprovadas em bula.

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De acordo com a Anvisa, seis mortes suspeitas por pancreatite estão sob investigação no Brasil, além de mais de 200 registros de pessoas que apresentaram complicações no pâncreas durante o uso das canetas. Os casos ainda são considerados suspeitos e passam por análise técnica, que pode levar meses ou até anos.

O alerta engloba todos os medicamentos que contenham semaglutida, liraglutida, tirzepatida e dulaglutida, substâncias presentes nas principais canetas registradas no país. Segundo a agência, embora a pancreatite já conste como reação adversa rara nas bulas, houve um aumento significativo de notificações recentes, o que motivou a comunicação oficial.

A Anvisa reforça que esses medicamentos devem ser utilizados exclusivamente conforme as indicações aprovadas, atualmente restritas, em sua maioria, ao tratamento da obesidade e do diabetes. Exceções incluem a semaglutida para redução do risco cardiovascular e o Mounjaro para tratamento da apneia do sono. Qualquer uso fora dessas indicações é considerado contraindicado pela agência reguladora.

O documento destaca ainda que o risco ao paciente pode ser maior quando as canetas são utilizadas para emagrecimento rápido ou fins estéticos, sem acompanhamento de profissional habilitado. Em casos de suspeita de pancreatite, o tratamento deve ser interrompido imediatamente e não retomado caso o diagnóstico seja confirmado.

A pancreatite é uma inflamação do pâncreas, órgão responsável pela produção de enzimas digestivas e hormônios como a insulina. Em quadros graves, a doença pode evoluir para formas necrosantes e até levar à morte.

O alerta brasileiro ocorre após um comunicado da agência reguladora do Reino Unido, que investiga 19 mortes associadas ao uso dessas canetas. Apesar de considerados eventos raros, os casos foram classificados como graves.

Em nota, a farmacêutica Novo Nordisk, responsável por Ozempic e Saxenda, afirmou que a pancreatite é uma reação adversa conhecida da classe dos medicamentos GLP-1 e que os pacientes devem ser orientados a procurar assistência médica ao surgirem sintomas. A empresa destacou ainda que diabetes e obesidade já são fatores de risco para a doença.

A Eli Lilly, fabricante do Mounjaro, informou que a bula do medicamento alerta para o risco de pancreatite aguda e recomenda a interrupção imediata do tratamento em caso de suspeita, com comunicação ao médico responsável.

A Anvisa reforça que todas as informações oficiais devem ser buscadas em fontes institucionais e alerta para os riscos do uso indiscriminado desses medicamentos, prática que tem crescido no Brasil nos últimos anos. (Interiorano)


FONTE: Interiorano
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