EUA aceitam consulta do Brasil na OMC, mas alegam "segurança nacional"

Governo Trump argumenta que ações brasileiras estão minando Estado de Direito, a política externa e a economia dos Estados Unidos.

Economia
19/08/2025 20h24 - Atualizado há 1 semana



Os Estados Unidos aceitaram o pedido de consulta do Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC) em relação às tarifas impostas pelo presidente Donald Trump.



O país, no entanto, argumentou que parte das alegações brasileiras envolve temas de “segurança nacional”, que não podem ser revistas dentro da entidade.



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Na resposta, disponível na página da OMC, o governo estadunidense afirmou que as sobretaxas de 50% sobre produtos brasileiros, assim como investigações comerciais em andamento, fazem parte de medidas necessárias para proteger interesses estratégicos dos Estados Unidos.




“[As tarifas são necessárias] para lidar com a emergência nacional decorrente das condições refletidas nos grandes e persistentes déficits anuais de mercadorias dos EUA com parceiros comerciais, ameaçando a segurança nacional e a economia dos Estados Unidos", informou o governo dos Estados Unidos. “




"Questões de segurança nacional são políticas e não passíveis de resolução na OMC”, prosseguiu o documento.



As tarifas, acrescenta o documento, foram impostas porque as políticas e práticas recentes do Brasil estão “minando o Estado de Direito e ameaçando a segurança nacional, a política externa e a economia dos Estados Unidos”.



Disputa simbólica



No início do mês, o Brasil acionou a OMC contra as tarifas de 50% impostas pelo governo de Donald Trump. A consulta representa o início formal de uma disputa comercial, em que a OMC busca arbitrar um diálogo entre as partes na tentativa de um acordo.



Caso não haja entendimento em até 60 dias, o Brasil poderá pedir a abertura de um painel de julgamento.



Como a OMC tem enfrentado um processo de esvaziamento do mecanismo de solução de controvérsias, a disputa comercial, na prática, tem mais efeito político e simbólico.



O Itamaraty informou que pretende incluir novos elementos e acusações ao longo do processo, caso a disputa avance para um painel.



Alegações do Brasil



No pedido de consultas, o Brasil acusa os Estados Unidos de violarem regras do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (GATT, organismo precursor da OMC) e do Entendimento sobre Solução de Controvérsias (DSU).



Entre os principais pontos levantados pelo governo brasileiro estão:




  • Violação do princípio de tratar todos os membros da OMC de forma igualitária, ao isentar alguns parceiros comerciais e punir o Brasil

  • Tarifas acima do limite: alíquota de 50% supera os níveis acordados pelos próprios Estados Unidos na OMC;

  • Tratamento discriminatório: sobretaxa traz condições menos favoráveis ao Brasil em relação às previstas na lista oficial de concessões comerciais dos Estados Unidos.

  • Descumprimento das regras de solução de controvérsias: segundo o Brasil, punições unilaterais dos Estados Unidos violam procedimentos previstos nos acordos multilaterais.



Por Agencia Brasil



Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2025-08/eua-aceitam-consulta-do-brasil-na-omc-mas-alegam-seguranca-nacional


FONTE: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2025-08/eua-aceitam-consulta-do-brasil-na-omc-mas-alegam-seguranca-nacional
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